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O Vale do silício brasileiro
Conheça a receita que permitiu a criação de um pólo de eletrônica no sul de Minas Gerais que se prepara para seu maior salto: a internacionalização

ROBERTA NAMOUR, DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ (MG)

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WELLINGTON CERQUEIRA
ROBERTO DE SOUZA PINTO, PRESIDENTE DO SINDICATO: "Os benefícios dessa união superam a concorrência entre as fabricantes"

DE TEMPOS EM TEMPOS, DISCUTE-SE no Brasil a necessidade de políticas industriais para o desenvolvimento deste ou daquele setor. No sul de Minas Gerais, mais precisamente em Santa Rita do Sapucaí, há um exemplo de como isso pode ser feito. Desde meados da década de 80, surgiram ali 132 empresas do setor eletroeletrônico. Juntas devem faturar R$ 1 bilhão neste ano. A receita para a criação desse Vale do Silício brasileiro repete uma fórmula clássica em países desenvolvidos, mas raramente utilizada no Brasil: uma estrutura educacional sólida com doses de incentivos fiscais que dão condições de desenvolvimento para os empreendedores locais. A cidade possui três instituições de ensino com cursos técnicos. As empresas se beneficiam da redução de IPI e ICMS. Além disso, há um elemento cultural que serviu para aproximar os homens de negócio da região: a maçonaria. Embora tratem o assunto com muita discrição, muitos dos empreendedores são adeptos dos preceitos da maçonaria, que prega a construção de uma sociedade melhor e o trabalho em conjunto. Isso atenua até a concorrência entre elas. "Participamos de encontros mensais para trocar informações. É bem verdade que alguns dados estratégicos não são divulgados. Afinal, somos empresários", conta Fernando Mota, da JFL Alarmes.

A previsão é de que as 132 empresas que atuam no Vale da Eletrônica
faturem R$ 1 bilhão até o final do ano

INCUBADORA DO INATEL: com o auxílio do coordenador Jaci Alvarenga, ao centro, os jovens Juliano e Tiago abriram a Devise Tecnologia, na área de automação residencial

Esse espírito permite que as empresas locais estabeleçam um estreito intercâmbio entre elas. Mais de 70% delas terceirizam parte de sua produção para suas vizinhas. Cada produto ali fabricado envolve mão-de-obra e peças de, em média, 15 empresas do parque industrial. "Temos praticamente tudo que precisamos e, literalmente, ao alcance das mãos. O tempo de frete varia de 4 a 6 minutos", disse José Carlos Ribeiro, diretor da Enterplak, especializada em montagem de placas e equipamentos eletrônicos, com um faturamento anual de R$ 10 milhões. Liderados pelo Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), os empresários compartilham estandes em feiras e a participação em missões nacionais e internacionais. "A concorrência existe, mas, se nos preocuparmos com isso, perderemos os benefícios dessa união", conta Roberto de Souza Pinto, presidente do sindicato. A união facilita também a captação de linhas de fomento oficiais. Só neste ano, o Sindvel obteve R$ 42,5 milhões por esse caminho. "Dificilmente uma empresa de pequeno porte teria acesso a esse dinheiro se não tivesse o respaldo do sindicato", acrescenta.

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